Aborto – Certo ou errado?

Por @EddieJunks e @CarolContri

Muito se falou de aborto nos últimos meses, grupos radicas, religiosos, feministas, humanitas, todos procurando argumentos para dar de fato uma “cara” ao tema, se ele é válido ou não. Mais do que discutir sua legalização, é importante levantar a questão: Quanto vale a vida humana?

O aborto é de fato um dos assuntos mais polêmicos da atualidade, cheio de prós e contras, mas nunca com uma conclusão do que é realmente certo ou errado. Aborto é a interrupção de uma gravidez (remoção ou expulsão prematura do embrião ou feto do útero) e é muito praticado no mundo inteiro, tanto em casos de uma gravidez indesejada quanto em casos de estupro, risco de morte da mãe, etc.

Em relação ao aborto existem dois principais grupos de debate: os movimentos pró-vida, que são terminantemente contra o aborto e o consideram um ataque a dignidade humana, e os movimentos pró-escolha, que consideram a prática moralmente aceitável. Ambos os grupos procuram influenciar a opinião pública para obter apoios para seu posicionamento a respeito do assunto.

O Código Penal Brasileiro declara aborto um crime contra a vida, com penas de 1 a 10 anos, de acordo com a situação. O artigo 128 do Código Penal é favorável ao aborto quando não há outro meio para salvar a vida da mãe e quando a gravidez resulta de estupro.

Opinião pública

No ano de 2007 o instituto de pesquisas Datafolha (do jornal Folha de S. Paulo) realizou um estudo estatístico que revelou que 65% da população brasileira acredita que a atual legislação sobre o aborto não deve ser alterada, enquanto que 16% disseram que deveria ser expandida para permitir a prática para outras causas, 10% que o aborto deveria ser descriminalizado e 5% declararam que não tem certeza de sua posição sobre o assunto.

Uma pesquisa mais específica, realizada pelo instituto Vox Populi para a revista Carta Capital e para a emissora de televisão Bandeirantes, revelou que apenas 16% da população brasileira concorda que o aborto deve ser permitido em caso de gravidez indesejada. Por outro lado, 76% concorda que o aborto deve ser permitido em casos de gravidez de risco, e 70% em caso de gravidez resultante de estupro.

Pesquisas mostram que o índice de abortos no Brasil é preocupante, mais de um milhão de abortos clandestinos são feitos anualmente no país.

Maternidade X Conscientização

Levando em consideração que temos um problema cultural de falta de conscientização muito grave no país, meninas ficam grávidas e mulheres têm um grande número de filhos por falta de prevenção. O que vai acontecer se o aborto for legalizado? Milhares de vidas vão ser descartadas?

Um trabalho de conscientização mais rígida talvez não resolvesse todos os problemas, mas seria um caminho para evitar a gravidez indesejada. Não é justo que as mulheres se aventurem em relações de risco e depois apenas descartem uma vida como se aquilo não fosse nada.

Mas, por outro lado, não legalizar leva essas mulheres a procurarem métodos clandestinos para interromperem a gravidez. São números chocantes de mulheres que morrem durante procedimentos de risco, número que coloca em evidência as desigualdades sociais e de saúde pública

Não há dúvida de que o aborto inseguro atinge essencialmente as mulheres mais pobres. E muitas dessas mulheres não têm controle sobre a sua vida sexual, não têm acesso ou não lhes é permitido o acesso aos serviços de planejamento familiar, tendo isto como consequência, a gravidez não desejada.

A desigualdade de gênero, a cultura, a religião e a pobreza são fatores que limitam as oportunidades das mulheres decidirem sobre a sua vida sexual e reprodutiva. Por isso é mais do que necessário, que antes de se discutir legalização, se busque soluções para resolver esse problema que atinge muitas famílias. Sem conscientização o aborto ainda será um grande problema e apenas uma forma de amenizar uma situação lamentável que assola famílias pelo país inteiro.

Métodos por métodos

Levar em consideração a crueldade dos métodos abortivos é um alavancador da revolta contra a legalização, com um agravante: a eficácia dos métodos contraceptivos.

Se todas as pessoas fizessem uso dos mais variados métodos disponíveis e acessíveis a todas as classes sociais, a gravidez não ocorreria e o aborto seria desnecessário.

O que pode ser mais cruel?

***Vale ressaltar que métodos como as pílulas contraceptivas e camisinhas estão disponíveis em postos de saúde e em algumas redes de farmácia se encontram com preços populares. A pílula do dia seguinte em caso de estupro é imediatamente fornecida a vitima quando feito o B.O. na delegacia.

Argumentos a favor do aborto

 A mulher tem o direito de tomar decisões num assunto que diz respeito à sua vida como o da maternidade.
 É uma decisão que afeta não só a vida da mulher, mas a vida do casal envolvido e, caso exista, o contexto familiar.
 Podem ocorrer problemas na futura vinculação afetiva entre a mãe e a criança nascida quando a gravidez é vivida em sofrimento.
 O aborto clandestino é um problema de saúde pública.
 O acesso ao aborto legal permite reduzir progressivamente o recurso ao aborto.
 Proibir não elimina o recurso ao aborto. Quando as mulheres sentem que ele é necessário fazem-no, mesmo que não seja em segurança.
 Um aborto mal feito pode ter consequências graves para a saúde da mulher.
 Definir um feto (um embrião ou mesmo um ovo) como uma “pessoa”, com direitos iguais ou mesmo superiores aos de uma mulher – uma pessoa que pensa, sente e tem consciência – é um absurdo.
 A proibição do aborto é discriminatória em relação às mulheres de baixo nível sócio-econômico, que são levadas ao aborto auto-induzido ou clandestino. As mais diferenciadas economicamente podem sempre viajar para obter um aborto seguro.
 O primeiro direito da criança é ser desejada.
 A possibilidade de escolha é boa para as famílias.
 Uma gravidez indesejada pode aumentar tensões, romper a estabilidade e empurrar as pessoas para baixo do limiar de pobreza.

Argumentos contra o aborto

 Hoje em dia só engravida quem é mesmo irresponsável. Promovendo o Planejamento Familiar não é preciso despenalizar o aborto.
 Fazer um aborto é um atentado contra a vida humana.
 Nenhuma mulher foi parar à prisão por ter recorrido ao aborto.
 Um feto é uma “pessoa”, semelhante a nós, com iguais direitos.
 O aborto legal deixa as mulheres à mercê de todo o tipo de pressões.
 O aborto legal vai congestionar os serviços de saúde.
 A despenalização do aborto vai provocar o aumento do número de abortos.
 O aborto é um pecado. É mau e imoral.

Em geral, a prática do aborto é muito bem aceita por uns e crucificada por outros. O fato de que uma vida está sendo tirada é incontestável, mas a mulher também tem o direito de optar por sua vida. E para você, o aborto é ou não algo realmente ERRADO?

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FUCK THE SYSTEM
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2 Responses to Aborto – Certo ou errado?

  1. Fabrício says:

    Eu concordo com o aborto em alguns casos, como estupro, risco de vida da mãe, ou falta de recursos dos pais de criar a criança.
    Temos métodos para prevenir, mas o problema é que nem todo mundo tem consciência disso, ou, em casos extremos, não têm acesso a eles.

  2. ABORTO SOMENTE EM CASO DE ESTUBRO……………..CADEIA para aquele que praticam o aborto por outros motivos……………..deveriam ser chamados de ASSASSINOSSS….

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